2º Passeio a Fátima em Bicicleta

(15 Setembro 2006)

 

Um nervoso miudinho começa-se a fazer sentir. É a véspera de mais uma ida a Fátima em bicicleta. Está o céu nublado. Adivinha-se mau tempo.

Chega o grande dia.
Acordo as 05:30 da manhã de sexta, tomo um valente pequeno-almoço rico em Hidratos de carbono, pois espera-nos uma etapa de mais de 200 Km.
Faz-se os últimos preparativos, combinam-se pormenores com o carro de apoio. Duas barra e um gel no bolso, impermeável "as costas" e estávamos nós já no que chamamos de "o ponto sem retorno" - na estrada!

Sempre a um ritmo lento, ultrapassamos Vila Real e entramos na zona mais bonita de todo o percurso, a Região Demarcada do Douro. Aquelas encostas faziam esquecer as dificuldades que estavam para vir!

O troço de Régua até Lamego é feito a cantar a desgarrada. Os transeuntes surpreendidos, imaginam que sejam ou dois maluquinhos ou dois rufias. O carro de apoio confirma a primeira hipótese. Ficam logo mais descansados.
Passado duas horas estamos Lamego.

Previmos que não chovia mais. Previmos mal.

Aparece a primeira subida em paralelos. O que animava o pessoal eram as meninas da Red Bull em Top Less a puxar por nós.

Acaba por fim a subida e eu saio daquele estado de coma, felizmente sem dados irreversíveis.

O troço de Lamego a Castro Daire é do pior, tal como o de Castro Daire a Viseu e o de Viseu até Seia!

Tão mau que nem quero falar dele, mas recordar é sempre bom! O esforço, o sacrifício, o r*** já dormente (selim muito duro)...

(o que é certo é que já nem sei os locais de cada foto...  )

Ah! Seia, por fim! Mais de 170 Km percorridos e com 6 horas seguidas a pedalar.

Mais uma subidinha em paralelos (desta vez sem as meninas da Red Bull), para activar a circulação sanguínea no fundo das costas e nas zonas marotas...

E eis que estamos nós a subir ao ponto mais alto de Portugal Continental. Mais uns quantos géis e barras no bolso e jersey aberto até ao fundo (25ºC em Seia)!

Segundo as informações que recolhemos, a subida teria cerca de 29Km. Dividindo em três partes iguais, previmos que o primeiro terço era o mais difícil e o último o mais fácil. Previmos mal.

Os primeiros 9 Km são de subida constante, troços com inclinação de 15%.

Chegados ao Sabugueiro (aldeia mais alta de Portugal, repleta de cães Serra da Estrela), já se fazia sentir algum frio, podendo até dizer que a descida que aí encontramos foi a pior coisa do dia, tal era o frio!

A partir daí a temperatura descia bruscamente. Ao quilómetro 16 estavam 10ºC.

Entramos então num nevoeiro cerrado.

Paramos, vestimos roupa mais quente (nos últimos quilómetros, umas calças de ganga, inclusive), mais umas barras, bebidas e enfrentamos os últimos quilómetros sozinhos, pois o carro de apoio foi em busca de pilhas para a máquina fotográfica, para registarmos a chegada ao alto.

Finalmente, a Torre! 1500 metros de desnível, 29 km de distancia e mais de 2 horas de subida depois...

Objectivo 1 cumprido.

Como era impossível ver alguma coisa lá em cima, devido ao nevoeiro, e tal era o frio, mais propriamente 5ºC, regressamos a Seia, local onde iríamos pernoitar.

Chegados ao Hotel, foi por cremes relaxantes, tomar umas pastilhas contra a gripe (se estiveram atentos já deram conta que do início da subida para o fim, houve uma descida da temperatura de aproximadamente 20ºC), descansar, comer um valente bife e rezar ao Buda para que o segundo dia corresse tão bem como o primeiro.

 

O empeno do primeiro dia foi tão forte, que no segundo dia em vez de sairmos as 7:30h (hora programada anteriormente), saímos as 9:30h.

Nesta segunda etapa, o único local de relevo entre Seia e Ourém era Miranda do Corvo. De resto era só aldeias e gente rude do campo que vinham atrás de nós com forquilhas e varapaus. Eu bem dizia ao Jorge para não lhes atirar com pedras. Inclusive, perguntei a um senhor de idade, se tinha visto por ali alguma manada de ornitorrincos, ao que ele me pergunta se estou a gozar com ele. Enfim...

Mas, lá fomos até Miranda do Corvo, sempre com um sorriso nas fronhas e um ritmo que me parecia perigosamente elevado.

Estávamos portanto a meio do percurso da segunda etapa - Miranda - já com 94Km percorridos (quase 4 horas a pedalar).

Sem qualquer problema  mecânico, físico ou psicológico, previmos que podíamos aumentar um pouco o ritmo. Previmos mal.

Mas até ao quilómetro 130 tudo corria bem. Encontramos um rival a altura (e foi o único durante os 400km de viagem!).Mas a partir do momento que coloquei "os óculos amaldiçoados"...

A partir daqui, comecei a sentir dores terríveis no joelho direito, como nunca senti na vida. Por mais que uma vez estive na tentação de desmontar (os anti-inflamatórios não ajudavam nada) e acabar ali o passeio, mas como desistir não faz parte do meu vocabulário (até pareço o Armstrong a falar), fui buscar as forças que me restavam para acabar a etapa ao ritmo que vínhamos até então!

Demos por nós, estávamos em Rego da Murta. (!?!?!).    A ver pelo mapa estavamos enganados.

O Jorge pergunta a uma velhota, "o caminho para Fátima?".

Ao que a senhora responde: - "Eu num xei, mas benha cumigo queu pergunto a minha bezinha! (...) Oh Alzira, bem cá falar com este moço, mas num teinhas medo queu tou aqui!”

Ok, ela sabia Judo, cheirava mal dos sovacos e era Bidente (um do ciso e um num fio preso ao pescoço).

À medida que nos aproximávamos de Fátima, as dores foram desaparecendo. Apesar de estarmos bastante cansados arranjamos forças e pedalamos que nem dois malucos! Mesmo para quem não é católico (o que não é o caso), a aproximação a Fátima (ou a outro local sagrado) é algo de extraordinário...

Pelo segundo ano consecutivo, tínhamos saído de casa em cima da bicicleta e chegado ao Santuário em cima da bicicleta.

Previmos voltar lá em 2007. Previmos muitíssimo bem, acreditem!

Tudo isto não seria possível sem um carro de apoio. Mais uma vez, o nosso Staff contava com a minha MÃE e IRMÃ! 

Um breve agradecimento ao Paulo Rodrigues da Maia Cycles que pelo segunda vez nos da um pequeno apoio nesta aventura!

Paulo, se me estás a ouvir, obrigado! Digo desde já que se deixares os géis muito tempo ao Sol ficam a saber a vinho branco! Isto é verídico!

 

Aconselho a todos esta viagem!

Qualquer dúvida, opinião, esclarecimento, oferta de brindes e pedidos de autógrafos, não hesitem!

Eu sou o gajo com a bicicleta Trek, calções MaiaCycles e Jersey Vermelho/ Cinza.

Ah, pesso desculpa pelus herros ortó-graficos e por qualquer falha na escrita.

 

Pedro Martins.

 

 

 

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