VI Desfolhada Tradicional em Tourencinho

(23 Setembro 2005)

 

Desta vez fora da eira e com a sede da Associação “Os Tourencius dos Xudreiros” transformada num eirado, a Desfolhada Tradicional decorreu, na noite chuvosa de sábado, com a mesma animação de sempre. Ou melhor, provavelmente, desta vez, ainda mais animada, porque as pessoas estiveram mais próximas umas das outras, desfolhando as maçarocas, chiando ao “milho-rei”, requebrando o corpo ao som da música interpretada pelos grupos que participaram. A decoração incluía os carros de bois, de chedas no chão e de cambão ao alto, na ponta do qual estavam colocadas as lanternas de luz frouxa; as abóboras talhadas com habilidade, fazendo carrancas de todos os géneros e curiosos exemplares de artesanato, a partir de pedaços de madeira, lembrando socos e tamancos. Os milheiros foram postos no meio do amplo salão e as pessoas, em semicírculo, esperavam que lhe saísse a espiga mítica da cor do vinho que ali correu, também, pelas gargantas, até às tantas.No final, viria a merenda, ou melhor, a ceia, que a noite estava a mudar de turno, para ser substituída pela madrugada. Era a sombra do milho verde, no meio do apetite namoradeiro de um rapazinho e de uma cachopa. E havia muitas, bonitas e bem vestidas, nos trajes dos tempos das nossas avós.Muita gente vinda de fora aceitou o convite da Associação de Tourencinho. Domingos Dias, o Presidente da Câmara Municipal, integrou-se na festa, assim como o Presidente da Junta de Freguesia de Telões, Carlos Machado. Um momento especial aconteceu, no meio da etnografia e da gastronomia: encetou-se um bolo, comemorativo do 23.º aniversário da fundação do Rancho Folclórico de Nossa Senhora do Extremo, cujos cantares se fizeram ouvir, ao lado do grupo convidado, vindo de Godim (Peso da Régua).Anda que a chuva tivesse prejudicado, em parte, o evento que todos os anos acontece na dinâmica povoação do Vale, ali ao lado do Rio Corgo, mesmo assim não lhe retirou o brilho. Entre a chuvinha e a seca, sempre é melhor a primeira. E a verdade é que a Desfolhada Tradicional de Tourencinho, organizada pelos “Xudreiros” não foi “seca” nenhuma, como o deixava antever o pipo (cheio) que lá se encontrava e que, por força das circunstâncias, se foi “desfolhando”, também, á boa maneira tradicional portuguesa...

in Mensagens Aguiarenses

 

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