TOURENCINHO

 

(Tourencinho)

"Aldeia humilde e acolhedora"

 

A aldeia de Tourencinho, está situada no extremo sul do Vale de Aguiar, Conselho de Vila Pouca de Aguiar, onde pertence actualmente à freguesia de Telões, mas tempos houve que pertencia à freguesia de São Salvador da Pena, é sem dúvida dos lugares mais antigos desta paróquia, visto que já antes do Século XIII era uma das “vilas” que mais numero de casais ( oito ) tinha, sendo que todos eles eram Reguenguos, e pagavam de foro a corte dois moios ateigados assim como ainda cada casal pelas direituras mais uma espadua e dois pães centeios, para além disso havia ainda o sustento do mordomo e do serviço no castelo.

Por tudo até aqui encontrado nos escrito nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, todos os autores indicam que esta povoação recebeu foral na primeira metade do século XIII, já no Núcleo Antigo 264, aquando do inventário mandado fazer pelo então Marquez de Castelo Rodrigo , D. Cristovão de Moura, senhor destas terras e com provizão passada por El Rei de Portugal D Fillipe II no dia 26 de Abril de 1599 com vista ao levantamento de todos os bens propriedades, foros, pensões, direitos, rendas e mais cousas nestas terras, para assim se saber o que era Reguenguo, Abadio ou Igreijerio, assim como o que andava sonegado(5) inventário esse que foi feito pelo Bacharel Fillipe Boutaca Henriques juiz deste Tombo, sempre acompanhado por o seu escrivão Álvaro Teixeira Pereira e os homens bons da terra, faz referência a dois forais que dizem existir, sendo que tudo leva a querer que seja um da aldeia de Tourencinho e o outro da aldeia dos Xudreiros, este sim dado por D. Affonso III a três casais, e registado em Lisboa no dia 24 de Agosto de de 1311 e que está referenciado na Torre do Tombo.

A história da aldeia de Tourencinho não se pode separar da aldeia dos Xudreiros pois já em 22 de Junho de 1515 quando o Rei D. Manuel outorga o Foral dado as Terras de Aguiar da Pena, já fala da aldeia dos Xudreiros como aldeia erma e não havendo memória de ser povoada sendo que todas as suas terras ficam para a aldeia de Tourencinho a qual paga os direitos, assim como no Núcleo Antigo 264 onde discrimina o que paga cada casal pelas terras da aldeia dos Xudreiros.

Diz a lenda que nos chegou até hoje que as pessoas que viviam na aldeia dos Xudreiros foram atacadas por formigas, sendo que tiveram que fugir para a aldeia de Tourencinho. Ainda hoje são visíveis os vestígios desta mesma aldeia como por exemplo um Dólmen.

Tourencinho ao longo de toda a sua historia, foi sempre uma aldeia onde existiam pessoas que se dedicavam ao trabalho do Barro par alem doutras actividades artesanais tais como a tecelagem do linho e lã, sendo que a mais importante era sem duvida o barro quer para fabricar a louça preta, quer no fabrico da telha no lugar do Barreiro.
Trabalho esse (telha) que só era feito nos 3 messes do Verão embora o fabrico da loiça preta era todo o ano. Havia um número muito elevado de famílias que se dedicavam ao fabrico desta louça.

Hoje Tourencinho é uma aldeia com características rurais, onde as pessoas todas se conhecem e no seu dia a dia se entre ajudam nos trabalhos agrícolas.

 

(Vista aérea de Tourencinho)

 

 


 
 
DESENVOLVIMENTO E TURISMO

Tourencinho conta com a Associação Cultural e Recreativa Tourencius dos Xudreiros para preservar e divulgar as tradições locais:
 
 
 

Património Religioso e Cultural
 
Os apreciadores de arte religiosa não poderão deixar de visitar as capelas que se encontram espalhadas pelo monte e aldeia de Tourencinho

 

 

Cruzes da Via Sacra

Tudo indica que estas cruzes circundavam toda a aldeia sendo a parte final da Via Sacra A Crucificação no ponto mais alto da aldeia que se chama Outeiro e onde ainda hoje existem duas cruzes. Restam apenas cinco cruzes tendo sido uma destas transferida para o cemitério da localidade aquando da sua construção.

 
 
 

Alminhas

 

Estas Alminhas encontram-se na entrada da aldeia, na rua do Xudreiros, encastradas na parede de uma habitação feita de um retábulo de madeira pintada, esta manifestação religiosa representa uma das passagens de Cristo Crucificado

 

 
 
 
 
Alminhas da Ponte
 
Na mesma rua junto à Ponte do Rio, estão situadas As Alminhas da Ponte. Encastradas na parede de uma habitação, sendo constituídas por peanha, nicho e cruzeiro. A peanha apresenta uma caixa de esmolas, com porta de ferro, e o nicho está inscrito numa peça de forma rectangular, estando assente num parapeito saliente. Este conjunto é rematado por um frontão, sendo o remate da empena sobrepujado por uma cruz latina. O nicho tem a forma de portal e conserva um retábulo que se distingue pelos tons azuis e pelas figurações de negro, estando representado, no centro, o crucifixo, ladeado pela imagem de Santo António e de Nossa Senhora, tendo as imagens de duas Almas aos pés.

 
 
 
Senhor dos Aflitos
 
Mais adiante, na direcção da Senhora do Extremo, encontramos o Senhor dos Aflitos, é constituída por uma cruz de pedra, revestida na parte da frente em madeira que contém uma pintura como imagem de Cristo Crucificado. Tendo em volta um muro de vedação e uma cobertura.

 
 
 
Capela nova de Tourencinho
(fotografada em fase de construção)

 

 
 
 
 

Actual Capela de Tourencinho

 

 

Capela de Santa Luzia

Localizada no monte de Tourencinho a 1km da aldeia, é a primeira capela que podemos ver ao caminhar-mos para o Santuário de Nossa Senhora do Extremo.

 

 
 
 

Capela de Nossa Senhora dos Milagres

Esta Capela também conhecida como Capela de São Jorge, localiza-se monte de Tourencinho, a 1,9km da aldeia. À frente da capela está a fonte milagrosa.

 

Fonte Milagrosa

 
 
 

Santuário de Nossa Senhora do Extremo

O Santuário localiza-se no monte de Tourencinho, a 2,5km da povoação. Local de grande interesse a nível do concelho e distrito. é de realçar as Ladainhas que se realiza todos os Anos, e a realização do Jubileu no Ano 2000.

 
 
 
 
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Fontanários

À esquerda está o fontanário do centro de Tourencinho, situa-se à entrada da aldeia, de frente para a rua principal. Construído com granito, é de salientar os efeitos e os remates que o embelezam.

À direita vê-se o fontanário da Fonte do Poço, também ele construído em granito

 

 
 
 
 

Espigueiros (Canastros)

Em vários locais da aldeia, podem ser observados canastros, vulgo espigueiros, possuindo alguns deles relógios de sol. Os espigueiros de maior destaque são os que se situam no Outeiro e na Eira do Carril.

 

 
 
 
 
Moinhos

 

Existem ainda vários moinhos na aldeia, que podem ser observados ao longo do Rio da Pena e do rio Corgo

 

 
 
 
 
 
 

 
 

TRADIÇÕES

A literatura popular desta aldeia transmontana é muito rica, sendo inúmeros os provérbios utilizados por estas gentes nas mais variadas actividades do seu quotidiano. Eis alguns exemplos:
 

 - Janeiro: geeiro;
 - Fevereiro: rego cheio;
 - Sol de Março, queima a dama no paço;
 - Em Abril, águas mil;
 - Maio pardo e Junho claro podem mais que os bois e os carros;
 - Junho foicinha no punho;
 - Água mole, em pedra dura, tanto dá até que fura;
 - A água silenciosa é a mais perigosa;
 - A água faz criar rãs na barriga;
 - Água fervida tem mão na vida;
 - Água, da serra; sombra, da pedra;
 - Quem tem bom vinho, tem bons amigos;
 - Sopa acabada, boca molhada;
 - Por cima de melão, vinho de tostão;
 - Alegrai-vos tripas que aí vem o vinho;
 - Vinho e linho só são frios um bocadinho;
 - Caldo sem pão, só no inferno o dão;
 - Bem jejua quem mal come;
 - Quem se deita sem ceia, toda a noite rabeia;
 - Se não queres engordar, come e bebe devagar;
 - O que não mata, engorda;
 - Pão pela cor, vinho pelo sabor;
 - Pão de centeio, melhor no ventre que no ceio;
 - Vale mais pão duro que nenhum;
 - Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão;

 - Pão quente: nem a são nem a doente;
 - Março amoroso Abril carrascoso, Maio pardo e Junho claro;
 - Com caracóis e figos lampos, não bebas água;
 - Ano de ameixas: ano de queixas;
 - Ano de feijões: ano de pulgas;
 - Ano de figo temporão, ano de pão;
 - No tempo dos figos, não há amigos;
 - São mais as nozes do que as vozes;
 - Dá Deus nozes a quem não tem dentes;
 - Lua, com circo ao largo: chuva ao perto;
 - Lua inclinada não leva água;
 - Natal à lareira: Páscoa na soalheira;
 - Se a Senhora das Candeias rir, está o Inverno para vir;
 - Março chuvoso: São João farinhoso;
 - Rigor de nascente: chuva de repente;
 - Geada na lama: chuva na cama;
 - Vento suão molha no Inverno, seca no Verão;
 - Homem de bem, palavra de rei;
 - Os homens não se medem aos palmos;
 - Homem pequeno, saco de veneno;
 - Homem velho e mulher nova: filhos até à cova;
 - Pelo São João, ceifa o pão;
 - Pelo São João, deve o milho cobrir o cão;
 - Ano de nevão: ano de pão;
 - Quem bem ceia, bem dorme;


As gentes de Tourencinho têm vindo a transmitir, de geração em geração, histórias e lendas relacionadas com a aldeia, das quais se destaca a Lenda dos Xudreiros e Lenda do Grande Lago.

 


Lenda dos Xudreiros

Segundo a lenda, a povoação de Tourencinho foi fundada pelos Xudreiros, antigo povo que estava sediado na Serra da Falperra e que, no século XII, desceu para o Vale do Corgo, por causa de uma devastadora invasão de formigas.

Sabe-se que, alguns anos antes, no lugar do planalto denominado de Lameirão, existiu um povo que se dedicava à agricultura e à criação de animais. Os vestígios existentes mostram que esse povo vivia em casas rectangulares, com uma única entrada. Nas imediações desse local, foram encontrados alinhamentos de pedras que terão servido para dividir o terreno em propriedades, assim como antas com pedras em círculo, que sustentam a hipótese de aí ter existido um cemitério ou um local de culto. Para além desses vestígios, salienta-se o “marco xudreiro” que servia, provavelmente, para delimitar o território desse povo.

 

Lenda do Grande Lago

Conta a lenda que a planície onde está localizada, actualmente, a freguesia de Telões estava, outrora, submersa por água, formando um grande lago, devido a uma barragem natural da garganta do Covelo. Diz-se que, depois, um fidalgo ordenou que a barragem fosse cortada, tendo a água escoado e originado o Rio Corgo. As camadas de barro que se encontram entre Barreiro e Carrica comprovam que aí existiu, em tempos idos, um lago.

 

Desfolhadas do Milho

 

Malhadas do Centeio

Abrir as cancelas ao Entrudo

 

Matança do Porco

 

Serração da Velha

No Carnaval, era habitual, há alguns anos atrás, fazer-se a “Serração da Velha”. Esta tradição dizia que os jovens da aldeia deviam ir serrar um tronco de madeira em frente à porta de uma pessoa mais idosa, gritando “Serra a Velha”.

 

Actualmente, estas tradições são realizadas pela Associação.

 

Tição

Uma das tradições que ainda é preservada pelas gentes de Tourencinho é a do “Tição”, segundo a qual um enorme madeiro de castanheiro, trazido da montanha pelos jovens, é depositado, a partir do dia 24 de Dezembro, no centro da aldeia. Esta tarefa é desempenhada pelos jovens mancebos (inspecção militar). Este costume tão antigo é uma ocasião de reencontro e de diversão.

Festas Religiosas

As tradições deste povo sobressaem, igualmente, através das suas festas religiosas. Assim, nesta simpática aldeia da Freguesia de Telões, realizam-se festas em honra de: São Jorge, no segundo Domingo de Abril, com a habitual "Bênção do Gado", São João, em 24 de Junho, destacando-se por ser uma das festas de maior relevo na freguesia, com carácter rotativo pelas várias aldeias e  Santa Luzia, dia 13 de Dezembro. De salientar que as festas têm a duração de um fim-de-semana.

 


 

 

GASTRONOMIA

Tourencinho possui uma deliciosa gastronomia que irá, certamente, agradar ao turista que optar por tomar aqui as suas refeições. Assim, evidenciam-se os seguintes pratos típicos: o Cordeiro e o Borrego Assados, prato típico, principalmente no dia de São João, assim como os Enchidos de Porco.

 

 

Cordeiro Assado

 


Ingredientes:

2 kg de cordeiro
2 dentes de alho
1 colher de chá de colorau
2 folhas de louro
2,5 dl de vinho branco
1 ramo de salsa
70 g de banha
Sal

Preparação:

Faz-se uma papa com os ingredientes, esmagando tudo num almofariz. Coloca-se, então, o cordeiro, unta-se com a papa, rega-se com o vinho branco e deixa-se marinar, durante cerca de duas horas. Leva-se a assar em forno forte e serve-se com batatas louras.

 
 

Alheiras

 


Ingredientes:

Carne de porco
Galinha
Carne de vitela
Pão
Alho
Banha de porco
Pimentão
Tripas

Preparação:

Coloca-se um pote grande de ferro ao lume com todas as carnes que, depois de cozidas, são retiradas do pote e desfiadas. Seguidamente, corta-se o pão muito fino e junta-se a água onde se cozeram as carnes e acrescenta-se a carne desfiada, a banha, o pimentão, assim como o alho bem pisado. Por último, mexe-se tudo muito bem com uma colher e, com uma trolha ou com uma máquina, coloca-se a massa obtida nas tripas, que foram previamente bem lavadas.

 
 

Linguiças

 


Ingredientes:

5 kg de carne (febra magra e gorda)
10 dentes de alho
3 l de vinho
1 l de água
2 folhas de louro
2 laranjas
100 g de colorau
1 malagueta
Pimentão em pó
Sal

Preparação:

Corta-se a carne aos bocados, para um alguidar de barro. Tempera-se com o sal, os dentes de alho, o vinho, a água, o louro, a malagueta, as laranjas cortadas aos bocados com casca, o pimentão e o colorau. Envolve-se tudo e alisa-se a superfície. Mexe-se todos os dias, com uma colher de pau, e no fim de oito dias, enchem-se as tripas de porco, deixando de lado as rodelas da laranja. Aperta-se, então, a massa para ligar e pica-se com uma agulha para que possa sair o ar. O processo de atar é igual ao dos outros enchidos. Depois, passam-se por água e vão ao fumeiro durante cerca de dez dias. Antes de encher, as tripas são lavadas, esfregadas com limões e aguardente, ficando assim temperadas de um dia para o outro.
Para acompanhar estas saborosíssimas iguarias, aconselha-se o Vinho Verde que por cá se produz.

 
 
 
 

 

 

 

ARTESANATO

 

Antigamente, existiam poços, no lugar do Barreiro, onde se procedia à extracção de barro para o fabrico de produtos destinados ao uso doméstico e para fabrico de telhas. Esta actividade artesanal era exercida, por quase, todos os habitantes de Tourencinho. Actualmente, restam apenas, indícios dessa actividade.

 


Nos dias de hoje, destaca-se o empenhamento de duas ou três tecedeiras que, de vez em quando, tecem passadeiras e mantas de retalho, mantendo, assim, viva uma tradição que, infelizmente, tem
tendência a desaparecer.

 


FOTOS

(Rio Corgo - Ponte Velha)

 

 

(Vistas parciais de Tourencinho)

 

 

(Tourencinho em dia de neve)
(Nevada 2003)
 

(Rio da Pena / Cheia)

 

(Rio da Pena / Nevada 2003)

 

(Cheia do Rio Corgo junto à Ponte Velha)

(Helicóptero no Rio Corgo)

 

(Cheia do Rio Corgo)

 

 

(Posto de Vigia no monte de Tourencinho)

 

(Senhora do Extremo - antes de entrar em obras)

 

 

(Interior da antiga capela da aldeia)

 

(Fraga Alta)

 

 

(Fraga dos Corvos e Fraga Porto da Torre)

 

(Fraga do Risco e Fraga do Janelinho)

 

 

 

 


Copyright ©2003 A.C.R.Tourencius dos Xudreiros